Pesquisa mostra que falta de planejamento de empreendedores é o principal entrave para a captação de recursos

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Um estudo realizado pela Efund Investimentos, plataforma que opera na modalidade de Equity Crowdfunding, junto às 404 startups que se candidataram à captação de investimento, mostra que a falta de planejamento é o principal entrave na hora de buscar parceiros. Deste total, somente 2%, ou 8 empresas, foram aprovadas para lançamentos de projetos na plataforma.

De acordo com o levantamento, 16,6% das startups candidatas não sabiam definir claramente qual seria o futuro do negócio ou sequer contavam com projeções financeiras. 

“Muitas vezes, os gestores chegam até os investidores sem uma estratégia e sem dados concretos. Não possuem plano de negócio e acham que pelo dinheiro estar fácil no mercado, somente com o pitch ele conseguirá o investimento”, explica o cofundador da Efund, Alcides Jarreta.

O segundo motivo mais comum da negativa, parece até absurdo, mas foi identificado em 12,9% da amostra: falta mercado ou necessidade do produto. Para Jarreta, esse erro ocorre quando o empreendedor acredita que descobriu a roda e que toda a população irá precisar dele, quando na verdade já existem vários concorrentes ou talvez ninguém mais precise.

Outro ponto é a inovação. Ou a falta dela. Estes casos incluem empreendedores que iniciam uma startup com uma concepção de produto que já existe no mercado ou pode ser feito facilmente por um concorrente. “Muitas vezes, ele já investiu tanto dinheiro e tanto tempo no desenvolvimento que fica com receio de fazer o pivot (adequar o produto a um novo conceito) e ter que desembolsar mais tempo e dinheiro”, complementa.

Em terceiro lugar, o erro cometido por 11,6% das startups está relacionado ao momento em que decidiram buscar os recursos. 

“Muitos empreendedores nos procuraram quando o caixa já estava no final, com 2 ou 3 meses de vida. O burn rate é grande, a runway foi mal calculada e já não conseguirão se manter sem um empréstimo ou a entrada de um investidor com urgência, o que leva a uma má negociação de Equity, bem desfavorável ao empreendedor. É o que chamamos de ‘vender Equity’ por qualquer preço”, explica.

Tentar captar usando apenas o “gogó” também não gera resultados positivos. A pesquisa demonstra que este foi o caso de 10,9% das empresas que buscaram recursos. Conhecidos como empreendedores de palco, tais proprietários de startups adotam uma postura de sabe tudo e afirmam que é só aportar o recurso para que o sucesso seja um fato. 

“São pessoas desfocadas que criam 2 ou 3 startups ao mesmo tempo. Muitas vezes, não querem ser apoiadas com informações ou questionadas”, explica.

Tais tipos de empreendedores são conhecidos por adotar chavões como: “Meu produto é único”; “Já possuo um cliente gigante com promessa de compra”; “Todos que conversei adoraram meu produto”; “Tenho outras startups”. “São frases vazias, pois a realidade é que eles não possuem nenhum faturamento, tem número baixo de clientes ou só tem clientes porque o produto é grátis”, diz Jarreta.

Na quinta posição estão as startups com problemas jurídicos (6,4%), seguidas daquelas que exibem salários dos gestores incompatíveis com a realidade (5%). “Há casos de empreendedores que possuem salários fora da realidade para uma startup e que continuam a utilizar boa parte do investimento recebido para bancar estes valores. Quando o total da captação está no final, buscam nova rodada de investimento”, lamenta.

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